Era uma vez ... e a cidade do Porto pariu uma cria.
Foi-lhe dada o nome de Pedro Machado Abrunhosa, que ele próprio aligeirou para Pedro Abrunhosa. Aligeirou o nome, não a sua grandeza demonstrada ao longo da sua carreira de músico, fazedor de canções, como queiram. De uma natureza inquieta, não se deitou sobre a vida; deitou-se com a vida, acordando com os seus sonhos e fazendo deles aquilo que hoje sinto cada vez que assisto aos seus concertos e em cada um deles. Porque sim, nenhum deles se repete. Pode ser o dia 30/01/2015 no Coliseu do Porto- apenas como referência- pois, é-me difícil fazer distinção justa para encontrar o seu melhor concerto. Seria o mesmo que esquartejar Pedro Abrunhosa. Os seus concertos são sentidos por mim, como um vento ameno, onde sinto o fustigar de de palavras tão bem encontradas e acasaladas brotando delas um filho, as suas canções, onde navego em ondas de um mar de notas musicais, que me fazem amainar as velas do meu barco a tentar vencer tempestades. E ali, ouvindo a sua música, as palavras que saem do seu corpo, dos seu gestos, deixo esse barco alongar-se num mar de sensações e prolongo uma travessia intensa de honestidade para comigo porque amanhã vou continuar a calcorrear as pedras das calçadas, das ruas, vou trabalhar, vou enfrentar a rotina da minha vida, ... mas acalentada, Iluminada, e enfeitiçada pela Lua, que concerto após concerto, faz descer do palco num abraço aconchegado Pedro Abrunhosa e assim nos acompanha de volta aos nossos lares, à nossa outra casa. Sinto-me ninfomaníaca, sim , porque a sua linguagem corporal consegue fazer-me separar e sentir a parte física do amor, porque esse, o amor está presente em todo o concerto.
Os seus concertos são o esplendor criativo das histórias que ilustram a sua vida.

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